O começo na pré-escola

segunda-feira, 
9 de fevereiro de 2009 às 5:49

 

As primeiras experiências na escola provocam insegurança, mas trazem uma lição importante: ensinam a separar-se dos pais sem sofrimento e a reencontrá-los com alegria 

Ao entrar na pré-escola, a criança vive um momento delicado, pois tem que aprender, de uma só vez, a afastar-se do convívio familiar e a criar novas relações afetivas. A emoção das primeiras separações é muito forte. Ela se pergunta: “Por que tenho que vir para cá?†“A professora vai cuidar de mim?†“E se minha mãe não voltar’?†Os pais também sentem. “Será que meu filho vai ficar bem?â€

Para que essa primeira separação não seja muito sofrida, as boas pré-escolas propõem um programa de adaptação que ajuda a criança a fazer amizades e a entrar aos poucos na rotina da classe. Geral­mente, o primeiro passo é uma visita à escola com o filho antes do início das aulas. Depois, a mãe, o pai ou, quando não for possível, a babá ou a avó deve ficar com a criança na escola por certo período. Esse tempo vai diminuindo até que ela se sinta segura, crie vínculos de afeto com a professora e conheça o espaço e os colegas. Só assim ela vai estar à vontade para brincar, participar e aprender.

O tempo de adaptação varia muito. As crianças mais tímidas e as com menos de 3 anos podem pre­cisar de duas ou até de três semanas.

 

A diplomacia da adaptação

Não fique perguntando à criança se ela quer ir à escola. Ela não é capaz de decidir sozinha. É pre­ciso que os pais estejam muito seguros de sua opção, caso contrário a criança vai perceber.

Procure matricular seu filho no início do ano ou do semestre. Assim ele não será o único aluno novo

no grupo. Para encorajá-lo, deixe-o levar seu pani­nho ou brinquedo preferido. É uma maneira de man­ter o vínculo com sua casa.

Evite colocá-lo na escola pela primeira vez num momento que coincida com dificuldades ou trans­formações na família, como morte de alguém queri­do, divórcio dos pais, nascimento de um irmão ou mudança de casa. Nessas horas, seu filho precisa estar junto de você.

 

Vai-e-vem

Mesmo depois de uma familiarização bem-suce­dida é comum haver retrocessos. Após uma semana sem a mãe na escola, muitas vezes a criança fica triste, agressiva ou não participa das atividades em grupo. Também pode apresentar comportamento regressivo em casa, como chupar o dedo ou fazer xixi na cama. É difícil saber ao certo por que isso ocorre. Talvez uma briga com amiguinhos ou a ausência da professora por um dia. Busque informações na esco­la o quanto antes e combine uma ação conjunta com a professora.

É importante lembrar que a separação é um processo que gera sentimentos que precisam ser entendidos. Os pais não devem se sentir enver­gonhados se o filho não aceita a nova situação com a mesma facilidade de outras crianças. Cada um pode ter uma reação diferente em momentos de mu­danças. Se ele não tiver se adaptado após três sem­anas, deve-se considerar a possibilidade de adiar o ingresso na escola por seis meses ou um ano.

 

Materia publicada na revista Claudia

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